Queria ser alguém criativa, juro que queria. Mas me encaixo mais no perfil sonhadora e distante. O que me lembra "Distant Dreamer" aquela lindíssima música da Duffy, que basicamente, resume a minha vida. O que me lembra que eu divago constantemente. Manter o foco, para mim, não é uma tarefa fácil. Anyway, como não tenho talento para criar poesias inspiradoras (como um certo amigo meu, o qual eu devo os créditos, já que foi lendo o blog dele que me deu vontade de voltar a escrever no meu), não toco instrumentos, não pratico esportes (sou um desastre ambulante (literalmente, e isso me irrita muito)), não desenho, não canto tampouco faço qualquer coisa artística, me limito a divagar aqui. Falar sobre o cotidiano, sobre o que me irrita, o que me agrada, o que me surpreende e o que me entristece. Para todo o resto tenho o tumblr né (throughrustedsmiles.tumblr.com).
Então, ontem eu fui pela primeira vez, pasmem, a uma """"balada"""". Não sou dessas. Fui por livre e espontânea pressão, e acabei de divertindo mais do que esperava (o que o álcool não faz né minha gente). O bom de você ir a lugares aos quais não planeja frequentar, é que pode literalmente dar a louca e ser uma pessoa completamente diferente, já que sabe que as chances de esbarrar com essas pessoas por aí são ínfimas. Dancei loucamente, beijei loucamente, cantei loucamente, vivi loucamente. Confesso que não sabia que essa Keiko sequer existia. O engraçado é que antes dessa festa estava em um dilema absurdo, com direito a ataque de pânico, pois não sabia como me portar e exatamente o que esperar de um evento como esse. Estava envergonhada, tímida e ansiosa e quase não fui. Quem me convenceu a ir foram as minhas maravilhosas amigas que me disseram que eu precisava me divertir, e que eu só iria descobrir que essa não era a minha praia se eu fosse nela pelo menos uma vez. Isso e os sessenta reais do ingresso, é claro. No final das contas, o importante é que fui convencida.
O mais engraçado é que os resquícios desses embalos de sábado a noite (John Travolta feelings) estão por todo o meu corpo: hematomas, arranhões e outras cositas mas. Prêmios que eu sinceramente não me lembro de ter conquistado. Fiquei literalmente bêbada de alegria ontem, mas hoje tudo que resta é a boa e velha Keiko com enxaqueca, dor no pescoço e calos nos pés.
Essas peças que a vida nos prega são incríveis né. Eu saio para descobrir se aquilo é realmente o que eu pensava, mas volto apenas mais confusa. Porque ao mesmo tempo que é, não é. É daquele jeito que imaginava, mas ao mesmo tempo é algo que nos proporciona sensações que por mais que consigamos semelhantes em outras atividades, são únicas. Descobri outra faceta minha (não que eu me orgulhe dela) e descobri também que nem tudo é preto no branco como a gente imaginava.
Confesso que prefiro a Keiko caseira, família, nerd e introspectiva. Mas também gostei dessa Keiko animada, sorridente e impulsiva. Tenho características em comum que habitam esses dois universos paralelos (não ligar para a opinião alheia é uma delas) e isso me faz pensar... Se posso ter duas personalidades tão diferentes e ainda assim ter traços em comum entre elas, por que não juntá-las? Traçar uma reta que cruze esses dois universos, pode ser uma boa saída e uma atividade que deveria tentar me focar (olha ele de volta) para tentar me libertar de paradigmas e dúvidas existenciais que me assombram desde sempre. Quanto mais tento me descrever, mais acabo confusa e frustrada (frustração no meu mundo é bem vinda, me faz refletir. Ah, sweet melancolia...). Tudo é tão complicado....
Mas afinal, qual seria a graça da vida se ela fosse simples?
E para terminar, um pouco de Duffy procês